A primeira pessoa a tentar alguma forma de cultivo nas encostas de Cinque Terre deve ter agido por desespero. Para persistir com essa loucura em pleno século XXI só mesmo um indivíduo de caráter obstinado. Walter de Batté é esse homem, e continua a cultivar suas preciosas parcelas de uvas locais Bosco e Albarola artesanalmente. Os vinhos, porém, agradam a todos os críticos. O Cinque Terre se desenvolve lentamente na taça, revelando no fim seu frescor e as camadas de frutas que dançam na língua. Seu Sciacchetrà é absolutamente cativante, equilibrando a doçura do mel com uma acidez "gritante".terça-feira, 22 de dezembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO NOROESTE DA ITÁLIA - WALTER DE BATTÉ/LIGÚRIA-CINQUE TERRE
A primeira pessoa a tentar alguma forma de cultivo nas encostas de Cinque Terre deve ter agido por desespero. Para persistir com essa loucura em pleno século XXI só mesmo um indivíduo de caráter obstinado. Walter de Batté é esse homem, e continua a cultivar suas preciosas parcelas de uvas locais Bosco e Albarola artesanalmente. Os vinhos, porém, agradam a todos os críticos. O Cinque Terre se desenvolve lentamente na taça, revelando no fim seu frescor e as camadas de frutas que dançam na língua. Seu Sciacchetrà é absolutamente cativante, equilibrando a doçura do mel com uma acidez "gritante".GRANDES PRODUTORES DO NOROESTE DA ITÁLIA - BRUNA/LIGÚRIA
O mundo precisa de mais especialistas da Ligúria e mais produtores da categoria de Ricardo Bruna, que, após cerca de 30 anos de guarda, demonstra hoje um entusiasmo ainda maior com a perspectiva de produzir excelentes Pigato e Rossese. Seus vinhos são intensos, interpretações artesanais dessas uvas dos vinhedos de altitude dos Alpes Ligures. Seu vinho top, o Pigato U Baccan, é uma expressão exuberante de madressilvas e amêndoas, sustentadas por uma acidez maravilhosa que o manterá no auge por vários anos. O Pigato Villa Torrachetta é um pouco menos complexo, mas oferece um aroma abundante de frutas tropicais. Bruna também produz o Rossese Le Russeghine, um dos melhores exemplos dessa uva leve e elegante.GRANDES PRODUTORES DO NOROESTE DA ITÁLIA - INSTITUT AGRICOLE REGIONAL/VALLE D'AOSTA
O curso de enologia em Aosta já ganhara reputação ao revelar alguns dos principais profissionais do país, mas agora deu um passo a frente e começou a vender os produtos de sua formidável vinícola experimental. Livre das preocupações comercias, seu foco é exclusivamente a qualidade, e os resultados são bastante animadores. O Pinot Grigio (à base de Pinot Gris) é um exemplo. Com um teor de álcool alto (14,5%), ele poderia facilmente parecer desequilibrado, mas a boa acidez de Aosta o mantém nos limites. Mais impressionante, porém, é o Nebbiolo proveniente dos vinhedos cultivados a 900m nas encostas íngremes. A mistura explosiva de frutas pretas e carvalho defumado é de fazer inveja a muito Barolo.segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
ÁREAS VINÍCOLAS DO NOROESTE DA ITÁLIA - EMÍLIA
Com exceção da Frascati, a importância da uva Malvasia na Colli Piacentini - a principal DOC da Emília - não tem rival em nenhum outro lugar da Itália. O Gutturnio, feito com uma mistura de Barbera e Bonarda (Croatina), desfruta grande popularidade local. Outras DOCs da região incluem a Sorbara e a Grasparossa di Castelvetro, conhecidas pela produção do tradicional Lambrusco.ÁREAS VINÍCOLAS DO NOROESTE DA ITÁLIA - LOMBARDIA

Esta região é o pólo industrial da Itália e sede da capital financeira e da moda do país. Do ponto de vista geográfico, compreende uma porção considerável do noroeste da Itália, inclusive a vasta planície do rio do Pó e a maior parte dos lagos italianos. Eclipsada pelos gigantes da produção nacional - Piemonte, Emilia-Romagna e Vêneto -, a recente indústria vinícola da Lombardia desenvolveu uma reputação à altura de seus ilustres vizinhos. No entanto, deve muito desse perfil à intensa atividade da zona de Franciacorta, que foi elevada à condição de DOCG em 1995. Franciacorta continua sendo a única denominação da Itália dedicada à produção de espumantes pelo método tradicional (o mesmo utilizado em Champagne). A aura de sofisticação dos espumantes atraiu como um imã os produtores e os investidores ansiosos por mostrar ao mundo que a Itália podia produzir vinhos capazes de competir com os melhores de Champagne. Rivalidades à parte, não há dúvida de que Franciacorta é hoje referência para todos os espumantes italianos, e não faltam exemplos de peso.A qualidade dos vinhos de Franciacorta é resultado de uma série de fatores, entre os quais os consideráveis investimentos feitos por muitos produtores. Baixa produtividade, tecnologia avançada e uma dedicação à qualidade que não mede despesas desempenham também papel significativo. O solo pedregoso, infrutífero, desses contrafortes alpinos no sul do Lago Iseo é ideal para a produção de uvas de alta qualidade. A baixa fertilidade do solo, o clima continental e os frequentes nevoeiros se combinam para criar um terroir de vinhos espumantes. Por fim, as próprias regulamentações DOCG impõem critérios rigorosos: são permitidas apenas três variedades de uva (Chardonnay, Pinot Noir e, em menor quantidade, a Pinot Blanc), e o tempo mínimo passado nas borras é 18 meses para os vinhos non-vintage e 30 meses para os vintage.
Os vinhos produzidos nessa área (excetuando-se os espumantes) são qualificados para a DOC Terre di Franciacorta. As uvas utilizadas incluem cepas internacionais como a Cabernet Sauvignon e a Merlot.
A leste do Lago Iseo e imediatamente ao sul do lago de Garda, avançando pela fronteira entre a Lombardia e o Vêneto, a DOC de Lugana se beneficia praticamente do mesmo clima e solo de sua ilustre vizinha. A DOC permite a produção de espumantes, mas a reputação de Lugana vem da uva Trebbiano, uma cepa branca e notoriamente sem graça, famosa pela abundante produtividade. Nas colinas sinuosas de Lugana, porém, a Trebbiano sofre uma incrível transformação, tornando-se uma celebridade aromática, de um frescor e uma longevidade extraordinários.
Vizinha de Franciacorta e desfrutando as mesmas vantagens naturais, a DOC Valcalepio teve um fraco desempenho até sua demarcação, em 1976. A enorme quantidade de variedades internacionais plantadas ali tem um potencial muito maior, mas a apatia que atingiu a produção de vinho durante os anos 1970 e 1980 ainda se faz notar.
Cerca de 100 km ao norte de Valcalepio e Franciacorta está o vale alpino da DOC Valtellina Superiore. O rio Adda atravessa a área em um percurso semelhante ao do Dora Baltea no Valle d'Aosta, esculpindo um vale quase tão íngreme quanto este. Há muitas outras semelhanças entre as duas zonas, inclusive o fascínio pela uva Nebbiolo (conhecida ali como Chiavennasca), que está muito longe de sua terra natal, no Langhe. No entanto, as vinhas, cercadas por picos de 2000m, são cultivadas em alturas mais modestas, de 300 a 400m, e, contrariando todas as probabilidades, a Nebbiolo atinge a maturidade durante o curto e quente verão. Valtellina se divide em cinco sub-regiões: Maroggia, Sassella, Grumello, Inferno e Valgella. A designação sforzato indica que o vinho é feito com uvas-passas, estilo amarone de Valpolicella. Os vinhos da DOC Sforzati di Valtellina têm todos alto teor de alcoólico e extrato, e representam o supra-sumo da produção vinícola de Valtellina.
Ao contrário dos imaculados vinhedos de Valtellina, a DOC de Oltrepò Pavese é imensa (quase do tamanho da Soave). Essa DOC tem dez variedades permitidas e produz vinhos de qualidade variável, e os produtores não se sentem muito motivados a desvendar sua obscura legislação. Alguns deles, porém, estão tentando reverter a situação. O consumo desses vinhos é uma história de amor local, e há um especial apreço pelo vinho jovial feito com a uva local Bonarda (Croatina). Estas incluem o Sangue di Giuda, um espumante tinto suave semelhante ao Brachetto d'Acqui do Piemonte.
sábado, 19 de dezembro de 2009
OS VINHOS DO ANO DE 2009


O ano de 2009 foi maravilhoso, sobretudo no que concerce ao mundo dos vinhos. Passei o ano desgustando. Praticamente todos os finais de semana na companhida da minha grande companheira, amiga, amada e amante esposa Áurea. Tive a oportunidade de degustar o Almaviva 2001, Domus Aurea 1998, Lindaflor Malbec 2003, Val de Flores 2002, Terrazas de los Andes Reserva Malbec 2003, Terrazas de los Andes Reserva Cabernet Sauvignon 2003, Santa Helena DON Origen Noble 2002, Cortes de Cima 2001, Mouchão 2002, Monte do Pintor 2001,Château Larmande 2000, Château Clerc Milon 2001, Château Le Puy 2000, Château Le Puy Barthélemy 2000, Château Lafite Rothschild 2002, Château Margaux 2002, entre outros.
Dos melhores vinhos degustados, com certeza os Châteaux Lafite e Margaux foram os melhores, indiscutivelmente. Em relação ao grandioso e sublime Lafite Rothschild 2002, mesmo sendo degustado muito precocemente, por se tratar de sua grande capacidade de envelhecimento, foi um momento memorável. Quanto ao Château Margaux 2002, por ser uma safra menos "emblemática" deste produtor, estava, apesar de jovem, bastante prazeroso, aromas ricos e sedutores, excelente concentração e fineza.
Portanto, eu elejo, não somente um, mas dois grandes exemplares de 2009, os châteaux: Margaux e Lafite Rothschild.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
ÁREAS VINÍCOLAS DO NOROESTE DA ITÁLIA - LIGÚRIA
O vasto arco da Ligúria se estende da Riviera francesa ao norte da Toscana e inclui algumas das terras mais valiosas da Europa. O turismo e todos os seus atrativos marinhos têm ofuscado a produção vinícola da região, que tem, no entanto, enorme potencial. A rara combinação de altitude e influências marítimas da Ligúria é ideal para a produção de brancos aromáticos. Os sabores de pêra e maçã na Vermentino se unem aos sabores de amêndoa e damasco da Pigato, uma uva autóctone igualmente excelente. Com passagem na madeira, ambos combinam bem com frutos-do-mar e pesto, outra criação da Ligúria.Embora famosa por seus brancos, a Ligúria é também o último reduto da Rossese na Itália, uma uva tinta valorizada por seu corpo leve e pelo delicioso aroma de frutas silvestres vermelhas. A versatilidade dessa uva quanto a sua capacidade de envelhecimento e sua incomum afinidade com a comida deram-lhe a proteção da DOC Rossese di Dolceacqua, pequeno enclave próximo da fronteira com a França.
Logo ao lado, a DOC Riviera Ligure di Ponente ("costa do pôr-do-sol da Ligúria") estende seu domínio até a cidade de Gênova. É a maior DOC da Ligúria, e 80% da produção concentra-se nos brancos. Para facilidade do consumidor, os vinhos são rotulados como varietais.
A acidentada península de Cinque Terre, com seus cinco vilarejos projeta-se no Mediterrâneo a oeste de La Spezia. Nas adjacências dessas vertentes perigosas encontra-se uma das DOCs mais improváveis da Itália: a Cinque Terre compreende uma série de terraços antigos que têm mais em comum com o Valle d'Aosta do que com o Mediterrâneo. Aqui, o trabalho é árduo, pois as encostas são um obstáculo que só os mais dedicados se dispõem a enfrentar. Seus vinhos fazem os apreciadores da bebida suspirar por mais desses intrépidos produtores.
Em Cinque Terre, a Vermentino é misturada com a Bosco e a Albarola. Essa combinação de aroma de fruta madura, notas herbáceas e minerais contribui para alguns dos brancos mais elegantes da Ligúria. O Sciacchetrà é um vinho de sobremesa feito com a Bosco, uva que compartilha com a Malvasia um toque herbáceo bastante adequado à produção de vinhos doces.
Ao norte de Cinque Terre está a DOC Colline di Levanto, que ainda não alcançou todo o seu potencial, e, ao sul, avançando pela fronteira com a Toscana, situa-se a Colli di Luni, de produção mais notável. Ambos produzem brancos secos mais confiáveis que excitantes.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
ÁREAS VINÍCOLAS DO NOROESTE DA ITÁLIA - VALLE D'AOSTA
Pequeno em área e produção, o vale passa despercebido diante dos famosos vinhos do Langhe. Mas isso não se justifica, já que a história da vinicultura de Aosta é tão rica quanto qualquer outra da Itália, e seus vinhos frescos e elegantes não recebem o devido valor.Espremida contra a fronteira piemontesa está a DOC de Donnaz, uma extensão natural de Carema, no Piemonte. Nos dois lugares, a uva característica é a Nebbiolo. Contornando-se o vale rumo ao leste, vêem-se os ordeiros terraços da DOC Chambave. Essa área ganhou reputação pelos vinhos de sobremesa feitos com a Moscato no estilo passito (um sedutor vinho de sobremesa elaborado com uvas cuidadosamente desidratadas). Chambave também produz um tinto modesto com a Petit Rouge, a variedade mais comum da região. Essa uva é também a base das DOCs de Enfer d'Arvier e Torrette. A acidez firme, a cor moderada e o toque da geléia de groselha vão bem com a apetitosa comida da montanha local.
As vinhas da DOC Blanc de Morgex et de la Salle situam-se à sombra do Monte Branco, a 1200m de altitude. Os vinhos, produzidos com a uva local Prié Blanc, combinam acidez elevada e intensidade mineral.
Para evitar ser relegada à denominação IGT, a DOC Valle d'Aosta permite que diversas uvas cultivadas no vale sejam rotuladas como varietais. Além da onipresente Chardonnay, existem algumas estrelas locais. Entre elas, destaca-se a branca Petite Arvine. Seu sabor mineral e de frutas verdes compete com o dos melhores vinhos de Sancerre ou Pouilly Fumé, na França. A tinta Prëmetta está ensaiando um retorno a essa área graças aos esforços de alguns produtores dedicados, oferecendo um aroma frutado delicado que lembra o francês Beaujolais.
Há também alguns exemplares convincentes da Pinot Grigio (Pinot Gris), geralmente classificada como Malvoisie, o que gera certa confusão.
NOROESTE DA ITÁLIA - TENDÊNCIAS ATUAIS
A produção de vinho no noroeste, como em outros lugares da Itália, sofreu com a instabilidade que atingiu o país após a Segunda Guerra Mundial. Despertando na década de 1980 depois de anos de indiferença no cultivo de uvas, o Piemonte rivaliza hoje com a Toscana na produção dos melhores tintos, próprios para ser guardados e apreciados dez anos depois ou mais. A uva Nebbiolo adapta-se muito bem ao solo de calcário das encostas das colinas do Langhe, produzindo barolo e Barbaresco extremamente ricos e potentes. Já a Barbera e a Dolcetto produzem um tinto mais leve, mas não menos potente, nos arredores de Alba.O vinho mais popular no mercado nacional é o Asti, o excelente espumante de sobremesa da região. Chamado Asti Spumante, decidiu abandonar o termo spumante para afastar a conotação de bebida vulgar. Feito com a uva Moscato, é o acompanhamento clássico das fatias de panetone consumidas em toda a Itália nas festas de fim de ano.
Atualmente, o noroeste tem mais a oferecer além dos nomes famosos e dos preços altos dos vinhos Barolo e Barbaresco do Langhe. Os brancos aromáticos dos vilarejos litorâneos de Cinque Terre, na Ligúria, os tintos Sangiovese de Colli di Luni, o potencial crescente do Valle d'Aosta, os célebres espumantes e os tintos Franciacorta da Lombardia, além da posição de destaque da Nebbiolo no Piemonte - tudo isso contribui para o fascinante mosaico da viticultura italiana.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
NOROESTE DA ITÁLIA - CLIMA E SOLO
O noroeste da Itália é ladeado ao norte e a oeste pelos Alpes e ao sul pelos Apeninos. As altas montanhas amenizam o sol quente do verão, resultando em temperaturas mais frescas que preservam a acidez e encorajam a complexidade. No verão, chuvas de granizo podem causar danos catastróficos e os invernos são às vezes rigorosos. Mas os outonos longos e quentes favorecem os produtores, principalmente na produção da Nebbiolo, uva de maturação tardia. No Piemonte, as vinhas crescem nas encostas íngremes, especialmente naquelas voltadas para o sul. Para infelicidade dos produtores, todavia, as encostas íngremes são sinônimo de trabalho extenuante no cultivo das vinhas.NOROESTE DA ITÁLIA
Locomotiva econômica e industrial do país, o noroeste da Itália tem um forte senso de identidade própria e todas as razões para se orgulhar, já que produz os vinhos mais prestigiados da Itália, apreciados pelos amantes do vinho no mundo inteiro.As vinhas foram introduzidas no noroeste da Itália pelos romanos. A afinidade da uva com o clima frio, os longos outonos e o solo rico da região devem ter sido logo reconhecidos, mas as primeiras referências à viticultura, tal como a conhecemos hoje, datam do século XIII.
A maior parte da área compreende as regiões do Piemonte e da Lombardia. A primeira, cuja capital é Turim, foi o berço da unificação italiana sob o reinado da Casa de Savóia, no século XIX. A segunda, que até então estivera sob o domínio austríaco, assumiu a liderança da indústria italiana, tendo como sede sua capital, Milão. As duas regiões exercem grande influência política sobre o restante da Itália e preservam suas próprias tradições culturais, especialmente em matéria de comida e bebida. Seus vinhos foram os que mais contribuíram para manter a tradição italiana de produção de vinhos. A prosperidade econômica assegurou que ali, como na Toscana, a produção fosse até hoje dominada por vitivinicultores independentes, em vez de cooperativas. Criou-se assim uma indústria vigorosa e competitiva, bem equipada para explorar o enorme potencial da região. No entanto, embora a qualidade dos vinhos seja excepcionalmente alta, essa região é um tanto insignificante quando se trata de volume de produção.
As uvas são cultivadas nas colinas e montanhas que emolduram a famosa riviera da Ligúria e do Valle d'Aosta, pequena região montanhosa e semi-autônoma localizada no extremo noroeste. Os vinhos das duas regiões tiveram pouco ou nenhum impacto sobre o cenário mundial, mas, como toda região italiana, elas sempre produziram vinho para consumo local.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
LEGISLAÇÃO NA ITÁLIA
O sistema DOC de denominações de origem foi introduzido na Itália em 1963. Infelizmente, porém, em vez de fornecer um atestado de qualidade, como era a sua intenção, essa lei teve o efeito contrário, permitindo que milhares de vinhos de qualidade inferior exibissem títulos pomposos, como o Chianti DOCG.CLASSIFICAÇÃO DO VINHO - Todos os vinhos italianos se classificam em quatro categorias. A mais alta é a Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG). Os controles se relacionam com o tipo de uva utilizado na região em que ela é cultivada. Em alguns casos, a legislação se estende também à densidade do plantio (quantidade de vinhas por hectare). São, ao todo, 33 DOCGs. Muitas delas, como Barolo ou Brunello di Montalcino, merecem o status que têm, mas a presença de outras na lista é uma fraude. Por exemplo, primeiro vinho branco a receber o status DOCG foi o desconhecido e medíocre Albana di Romagna.
A segunda classificação, Denominazione di Origine Controllata (DOC), equivale à Appellation d'Origine Contrôlée (AOC) na França. As 321 DOCs são submetidas aos mesmos controles que as DOCGs. Em alguns casos, são igualmente rigorosos quanto às variedades de uva permitidas, mas isso não garante a qualidade.
A terceira categoria, Indicazione Geografica Tipica (IGT), foi uma descrição mais específica do que vino da tavola (vinho de mesa). É semelhante à descrição vin de pays na França. Geralmente, a única informação que ela fornece ao comprador é a de que todas as uvas foram cultivadas em determinada região, por exemplo a Úmbria. Com a última categoria, Vino da Tavola (VdT), sabemos apenas que todas as uvas foram cultivadas provavelmente na Itália.
TEORIA E PRÁTICA - Muitos produtores evitam as classificações DOC e DOCG, seja porque duvidam da validade do sistema, seja porque preferem usar tipos de uva ou práticas não permitidos pela atual regulamentação. Vários dos vinhos italianos finos podem trazer o rótulo IGT ou mesmo VdT para fugir aos rigorosos critérios DOC e DOCG, particularmente quando empregam variedades "internacionais" não autóctones, como Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot.
VARIEDADES DE UVAS BRANCAS ITALIANAS
As variedades brancas mais cultivadas na Itália não são as que produzem os vinhos mais finos, como é o caso da Trebbiano. Existem, no entanto, variedades regionais que produzem brancos interessantes, tanto secos como suaves.TREBBIANO - A Trebbiano (ou Ugni Bianc) é a branca mais cultivada na Itália. É uma uva bastante comum, que produz grandes volumes de vinho seco mas geralmente inexpressivos, e costuma ser usada para corte. Participa da composição de muitos brancos da Toscana, do Lácio e da Romagna. A Trebbiano d'Abruzzo é uma variedade ligeiramente diferente. Dois dos melhores vinhos feitos com ela são o Trebbiano di Romagna e o Trebiano d'Abruzzo.
CORTESE - Variedade de boa qualidade, a Cortese produz brancos encorpados, com frescor e atraentes sabores de nêspera (ameixa-amarela), lima e minerais. É cultivada em grande parte da Itália setentrional, do Piemonte ao Vêneto, e os melhores vinhos que produz talvez sejam os da DOCG Gavi, no Piemonte.
GRECO BIANCO - Antiga variedade que dizem ter sido introduzida na Itália pelos gregos. A Greco é plantada no sul, principalmente na Campania. O vinho mais famoso que ela produz , o Greco di Tufo, é um branco seco encorpado, de coloração profunda e acentuados sabores de pêra, pêssego e ervas secas.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
VARIEDADES DE UVAS TINTAS ITALIANAS

As três uvas mais cultivadas na Itália - Barbera no norte, Sangiovese na Itália Central e Negroamaro no sul - não produzem os vinhos mais finos, mas, ao longo dos séculos, provaram ser fontes seguras de vinhos comerciais.SANGIOVESE - A variedade mais cultivada na Itália produz vinhos de categoria internacional, que variam de meio-corpo a encorpado, com taninos macios e carnudos e sabores com notas de ervas, baunilha e cereja. Suas expressões mais famosas são o Chianti Classico e o Brunello di Montalcino.
BARBERA - Melhor variedade do Piemonte, a Barbera produz vinhos bem encorpados e levemente frutados, com sabores de frutas vermelhas e pimenta. É a segunda uva mais cultivada na Itália. No norte, fornece um imenso volume de vinho para consumo diário.
NEGROAMARO - Literalmente "amargo escuro", a Negroamaro elabora vinhos, geralmente de corte, de cor escura, taninos concentrados e sabores bem encorpados de cerejas amargas, alcaçuz e cassis.
VARIEDADES DE UVAS BRANCAS E ESTILOS DE VINHO

Enquanto os romanos preferiam o vinho branco suave, a Itália moderna se inclinou na direção oposta. Porém, as variedades brancas autóctones (extensas parcelas de Trebbiano e diminutas faixas de Vernaccia, Garganega e Greco Bianco) podem ser encontradas do Friulli à Sicília, todas elas adaptadas ao clima local. No calor escaldante do sul, onde a Chardonnay e a Sauvignon Blanc são colhidas no fim de julho, as uvas autóctones Greco, Fiano e Inzolia amadurecem dois meses depois. E, o que é mais importante, com teores de álcool moderados, acidez equilibrada e aromas intensos. Quando a produtividade é controlada, os brancos italianos se caracterizam pelas notas herbáceas e minerais que marcam as varietais. Nem todas as uvas plantadas são autóctones. No nordeste, a Pinot Grigio (Pinot Gris) e a Pinot Bianco (Pinot Blanc) já são cultivadas há mais de um século. Mas a maior parte das uvas brancas italianas é autóctone, como as excelentes Arneis e Cortese, no norte, Verdicchio, cultivada somente em Marche, Garganega, a base do Soave no Vêneto, e Greco Bianco, no sul. A acidez marcante da Verdicchio, com seus sabores de limão e amêndoa; a intensidade floral mais acentuada da Garganega; e o sabor frutado da Greco são todos distintos, mas produzem vinhos inconfundivelmente italianos. Assim é também com a Vernaccia, cultivada em vários estilos, mas conhecida principalmente pelo toscano Vernaccia di San Gimignano, com sabores de nozes e notável acidez.Nos bons brancos italianos, a intensidade aromática é compensada por toques interessantes e equilibrada por uma acidez muito fresca -contraste ideal para pastas, risotos e molhos cremosos. Seu equilíbrio natural e a versatilidade à mesa, por muito tempo menosprezados, começam a receber a atenção que merecem.
VARIEDADES DE UVAS TINTAS E ESTILOS DE VINHO

A Itália produz principalmente vinhos tintos, e sua excelente reputação se deve a alguns notáveis como o Barolo (Piemonte), o Brunello di Montalcino (Toscana), o Taurasi (Campania) e o Valpolicella (Vêneto), todos feitos com variedades autóctones.O solo pobre e montanhoso do país e o clima quente e mediterrâneo conferem aos tintos uma rara combinação de peso e elegância. Uvas como a Nebbiolo, que dá origem aos célebres piemonteses Barolo e Barbaresco, a Sangiovese, que serve de base ao Chianti e muitos outros vinhos da Itália Central, e a menos conhecida Nerello Mascalese, da Sícilia, todas podem produzir vinhos ricos, porém com personalidade e próprios para ser envelhecidos.
Há também as variedades menos sofisticadas, como a Aglianico, a Nero d'Avola e a Montepulciano, que também podem ser a base para a elaboração de vinhos elegantes. A Aglianico, variedade antiga encontrada principalmente na Campania e na Basilicata, pode originar vinhos excelentes, tânicos, encorpados com sabores de cereja madura, chocolate e alcatrão. Das uvas tintas autóctones da Sicília, a Nero d'Avola é a mais bem adaptada ao verão abrasador da ilha. A Montepulciano, muito cultivada na Itália Central, especialmente em Abruzzo, produz vinhos redondos, com sabores de cereja, amora preta e pimenta.
A região norte do país também tem seus vinhos para consumo diário, destacando-se o Barbera e o Dolcetto. Suave e frutado, o Barbera é o vinho de mesa por excelência do Piemonte, enquanto o Dolcetto produz vinhos deliciosamente redondos, de cor intensa e vibrantes sabores de cereja. A maioria dos produtores do Barolo e do Barbaresco faz um Dolcetto frutado para ser bebido jovem, mas há outros que podem ser envelhecidos.
Os tintos italianos oferecem uma grande diversidade de sabores, mas frutas negras e terrosos são os mais comuns. Há muitas exceções, principalmente no norte, onde variedades locais como Teroldego, Refosco e Freisa proporcionam notas de frutas vermelhas e até de flores. Corvina, a principal uva usada em Valpolicella, fornece estrutura para os vinhos com aroma de ervas e cereja característicos da região e, nas mãos certas, produz sabores concentrados e taninos sedosos. Ela se supera nos estilos amarone e recioto, feitos com uvas semipassificadas selecionadas. O sabor de cereja amarga é marca também da uva Primitivo, geneticamente igual à Zinfadel na Califórnia, embora quando cultivada na Puglia produza vinhos bastante diferentes. Mais do que sabor individual, os tintos italianos se destacam por taninos firmes e acidez marcante -componentes estruturais que dão longevidade ao vinho e fazem dele um bom acompanhamento para as refeições. Os grandes tintos da Itália têm aquela rusticidade reconfortante que os franceses atribuem ao terroir. Ao mesmo tempo que lhes confere charme e autenticidade, ela reflete uma herança vinícola que remonta cerca de 3 mil anos.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
VITICULTURA E VINIFICAÇÃO
Existem dois sistemas de condução da videira na Itália: a latada e a espaldeira, este mais voltado para a qualidade. A latada alta permite outros cultivos - uma importante vantagem nas pequenas propriedades italianas - e facilita o manejo em encostas íngremes. As plantações que utilizam esse método, porém, tendem a produzir altos rendimentos. Os vinhedos mais novos, por outro lado, utilizam o método da espaldeira, semelhante ao encontrado na França. Nesse sistema, as vinhas, plantadas muito perto umas das outras, são o único cultivo. Podadas a pequena altura, produzem uvas de qualidade superior. O antigo método da latada não favorecia a maturação e precisava de longos períodos de maceração na vinícola para compensar a falta de cor e sabor. Por produzir uvas de melhor qualidade, o sistema da espaldeira reduziu o tempo de maceração das uvas. O controle da temperatura é hoje a regra, em vez da exceção, e o brilho do aço inoxidável já se faz notar até mesmo em algumas cooperativas. O uso de madeira no processo de amadurecimento ainda é um assunto polêmico: alguns produtores mantêm-se fiéis aos grandes barris da Eslovênia, enquanto outros adotam as barriques francesas, de tamanho menor. Seja qual for a escolha, o tempo de amadurecimento está diminuindo na Itália. A INDÚSTRIA DO VINHO HOJE
Numa época em que as chamadas uvas internacionais estendem cada vez mais seu domínio sobre o mundo do vinho, a Itália continua sendo o refúgio de uvas nativas. É verdade que a Cabernet Sauvignon fez enorme sucesso na Toscana e em outros lugares, e que a Chardonnay produziu excelentes vinhos em lugares tão distantes quanto Alto Adige, Úmbria e Sicília. Contudo, o vinho italiano ainda é predominantemente elaborado a partir de mais de 2 mil variedades de uvas nativas. Essa rica herança é resultado da longa e fragmentada história da vinicultura italiana, que levou seus produtores a desenvolver diferentes técnicas aproveitando as condições locais.A Itália é o segundo produtor e o maior exportador mundial de vinho. Com mais de 1 milhão de produtores e propriedades de apenas 1 ha, em média, a indústria do vinho italiano é extremamente fragmantada - daí sua dificuldade em desenvolver grandes marcas internacionais, capazes de oferecer regularidade e volume de produção, como ocorre em outros países produtores de vinho. O clima ameno do país e a falta de uma regulamentação estimulam colheitas generosas, cuja abundante produção é geralmente processada nas ultrapassadas instalações das cooperativas.
Mas há também modernas propriedades privadas, que controlam todos os aspectos da produção e contam com exércitos de agrônomos e enólogos, muitos deles treinados fora do país. Não surpreende que descartem a produção volumosa, chegando até a rotular seus vinhos fora do sistema oficial DOC(G) a fim de escapar de suas rigorosas restrições. Os vinhos cultuados, como o Sassicaia da Tenuta San Guido, embora sejam a minoria, restabeleceram a reputação do país. Em suma, a indústria italiana de vinhos encontra-se, sem dúvida, em franca expansão.
REGIÕES VINÍCOLAS DA ITÁLIA
O país tem boa parte do território ocupado por videiras. São quatro as principais regiões italianas de cultivo: Noroeste, Nordeste, Itália Central, Sul e as ilhas. Estas, por sua vez, são divididas em regiões vinícolas, como Vêneto e Campania, que correspondem às vinte divisões políticas do país. Cada região abriga uma série de áreas vinícolas (geralmente muito complexas) ou DOC(G)s que incluem nomes famosos como Barolo e Chianti. APRESENTAÇÃO DOS VINHOS ITALIANOS - HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
A queda do Império Romano marcou o fim da época áurea do vinho, mas a viticultura não foi abandonada. Ao contrário, ela prosperou sob as muitas bandeiras que governaram a Itália até a unificação, em 1861. A fragmentação política levou a uma extraordinária diversidade nas vinhas, já que cada região protegia com unhas e dentes as variedades e tradições locais. Nesse período, a viticultura na Itália desenvolveu as características que conhecemos hoje, com uma profusão de variedades de uvas regionais, estilos de vinho e técnicas de produção. Algumas regiões, como Chianti, sobrevivem praticamente intactas desde o século 14, enquanto outras, como Brunello di Montalcino, só surgiram 500 anos mais tarde.Apesar do potencial, havia pouco incentivo para melhorar a qualidade do vinho na Itália, país tão bem adaptado à videira e com um nível tão alto de consumo interno. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o surgimento da classe média, os italianos começaram a se interessar também pela qualidade.
A procura sem precedentes de vinhos melhores e a exigência de estabilidade econômica para sua produção marcaram a década de 1950. Aos poucos, a indústria italiana do vinho começou a mudar de rota. A confiança nas cooperativas baixou os rendimentos da produção e adotou-se nova tecnologia.
A década de 1960 viu surgir os supertoscanos, como o Sassicaia, que mudaram a percepção que o mundo tinha dos vinhos italianos. Feitos com variedades internacionais e produzidos fora do sistema DOC, os supertoscanos eram tão bons que colecionadores do mundo todo correram a comprá-los, a preços que estabeleceram novos recordes. Esses vinhos mostraram aos outros produtores que os rótulos italianos podiam competir no cenário mundial. O que teve início como uma pequena corrente de produtores decididos a reduzir as colheitas e melhorar a tecnologia, hoje é quase um império que se estende do Valle d'Aosta, no norte da Sicília, no extremo sul do país.
APRESENTAÇÃO DOS VINHOS ITALIANOS - PRÉ-HISTÓRIA E IMPÉRIO ROMANO
Pouco se sabe sobre a produção de vinho na Europa durante a pré-história. Em 2004, foram encontradas sementes de uva e sedimentos de vinho em um sítio arqueológico na Sardenha, remontando possivelmente ao ano 1200 a.C. - o mais antigo achado desse tipo no Mediterrâneo ocidental. No primeiro milênio a.C., novos tipos de uva e novos métodos de viticultura foram introduzidos pelos gregos na Sicília, na Puglia e na Campania, e pelos entruscos na Toscana. Quando os romanos conquistaram as cidades-estado gregas e entruscas, entre os séculos 4º e 2º a.C., apoderaram-se de suas vinhas e aperfeiçoaram os métodos de elaboração e amadurecimento. O vinho era parte integrante da vida romana - alimentava a devassidão do império e servia de inspiração a escritores e poetas. Romanos como Plínio, o Velho, documentaram conceitos importantes sobre o cultivo de vinhas, entre eles, a escolha do local, sistema de condução, poda, colheitas e envelhecimento. Afirma-se, inclusive, que os romanos fizeram mais pela produção do vinho em 200 anos do que os italianos em 2 mil. O fato é que os romanos elevaram o cultivo e a produção a um patamar que se manteve praticamente inalterado até o surgimento da pasteurização e do controle de temperatura. segunda-feira, 16 de novembro de 2009
CHÂTEAU LE PUY E A ESSÊNCIA DOS VINHOS NATURAIS

No início de março, a revista ADEGA participou de uma grande degustação vertical (do mesmo vinho em safras diferentes) do Château Le Puy, uma casa que defende o estilo de produção de vinhos naturais. Foram 12 garrafas provadas. Do Château Le Puy: 1967, 1984, 1988, 1998, 1999, 2000 e 2004. Além do Château Le Puy Barthélemy 1998, 1999 e 2000 - uma cuvée especial que teve seu lançamento com a safra de 1998 - que não recebe sulfitos nem mesmo antes do engarrafamento (ao contrário do que ocorre no engarrafamento do Château Le Puy).PROVA
Durante a prova, todos os vinhos estavam "vivos", incluindo o 1967, que estava mais "vivo" que o 1984. O Le Puy 1992 foi o mais encantador nos aromas. Parecia mais um Borgonha que um Bordeaux, tremenda sua elegância. Dos demais, o Le Puy 1998 estava vigoroso e rico, prometendo muito mais para os próximos anos.
No entanto, o destaque mesmo foi a apresentação dos Barthélemy. Impressionante o vigor e a pureza dos vinhos. Ainda estão jovens, mas muito prazerosos. O 2000 fez jus à safra (o ano foi um dos melhores de todos os tempos em Bordeaux) e foi o destaque dentre os três mais afamados. Todos os Barthélemy foram avaliados com 90 pontos ou mais.
CONCLUSÃO
Então, qual a conclusão? Importante é quebrar um paradigma de que os vinhos naturais são frágeis, não envelhecem. Na realidade, essa degustação trouxe um resultado bem divergente dessa afirmação. Os exemplares mais velhos envelheceram, evoluíram e ainda propiciam muito prazer. Os mais jovens, pelo retrospecto, vão seguir os passos dos irmãos mais velhos, pois todos estavam muito vivos e estruturados.
Foi impressionante colocar lado a lado e comparar o Le Puy 1967 com o 2004. O mais velho tinha uma cor de tijolo, mostrando o que o passar do tempo lhe causou e o mais novo da mesa, o 2004, estava firme, tânico e quase retinto. Ambos muito bons, respeitando-se o que se espera de cada um. Houve uma aula de respeito ao vinho, uma degustação que merecia ser registrada.
SOBRE O CHÂTEAU LE PUY
Ele está localizado em Saint-Cibard, na Côtes de Francs, margem direita a leste de Saint-Émilion, na grande região de Bordeaux. Hoje, tem a classificação de Appelation Bordeaux Côtes de Francs Contrôlée. Foi fundado em 1610 e segue a cultura biodinâmica na íntegra. Sua meta e seus procedimentos são para produzir vinhos naturais, banindo o uso de fertilizantes sintéticos, herbicidas e pesticidas.
Seu cuvée de prestige, o Barthélemy não recebe sulfitos, nem no engarrafamento, sendo assim um vinho 100% natural. Os vinhos normalmente passam por dois anos em carvalho, cerca de seis meses mais que a maioria dos fermentados de Bordeaux. O uso do carvalho é meticuloso e sua intenção não é produzir vinhos com excesso de madeira. Por isso, usa grande quantidade de barricas com alguns anos de uso.
O produtor e proprietário da vinícola, Jean Pierre Amoreau, costuma dizer com ênfase: "ser um produtor de vinho é ser um observador, curioso, trabalhador, sábio, amante da natureza e dos seres vivos e respeitar o próximo".
NOTA: matéria extraída da revista ADEGA - ANO 4 - Nº41 - 2009.
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE HENRI BOURGEOIS
Dinâmica propriedade no vilarejo de Chavignol, famosa pelo Sancerre como pelo queijo de cabra (o Crotin de Chavignol). Também tem vinhedos em Pouilly-Fumé, Quincy e até em Marlborough, na Nova Zelândia. Produz uma gama de Sancerres a partir vinhedos e solos distintos e de vinhas de Sauvignon Blanc de diferentes idades. Um exemplo é o Les Baronnes, um cuvée comum, fresco e vivaz. Le MD de Bourgeouis é mais intenso e mineral, enquanto o La Côte des Monts Damnés é longo e complexo.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE ALPHONSE MELLOT
Já existiram 19 Alphonse Mellots na história dessa família, incluindo o atual enólogo e administrador. O cuvée Génération XIX, na versão branca (de Sauvignon Blanc) ou tinto (de Pinot Noir), celebra a façanha. Os outros Sauvignon Blancs desta propriedade de 48 ha são todos muito bem vinificados. Domaine de la Moussière é o cuvée comum, cheio de frescor e frutas cítricas. O intenso cuvée Edmond é feito a partir de vinhas velhas, como o Génération XIX, e é amadurecido em carvalho; seu equivalente tinto é o melhor Pinot Noir feito em Sancerre. sexta-feira, 13 de novembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - CHÂTEAU DE TRACY
O Château de Tracy cultiva vinhas desde 1396, e seus proprietários - a família d'Estutt d'Assay, de origem escocesa - residem ali desde o século 16. Nos últimos dez anos, Henry d'Estutt d'Assay replantou dois terços do vinhedo de 29 ha e modernizou os métodos de cultivo. Produz um único vinho, de uvas Sauvignon Blanc plantadas em solos de calcário e silício, vinificadas e amadurecidas em cubas de aço inoxidável e de concreto. O vinho tem acidez intensa e clássico mineral e fica melhor um ano depois de engarrafado.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE YANNICK AMIRAULT
Yannick Amiraul é um desses vignerons dedicados que ainda podam pessoalmente as videiras de sua propriedade de 18 ha. Ele faz vários cuvées de uvas Cabernet Franc cultivadas em diferentes solos e de vinhas de idades distintas, todas com uma maravilhosa pureza de fruta. De St-Nicolas-de-Bourgueil são feitos o Les Graviers e o Les Malgagnes, mais firmes; de Bourgueil, ele oferece o La Petite Cave e a fina textura dos vinhos Les Quartiers e Le Grand Clos, todos a partir de vinhas de uma idade respeitável. GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE PHILIPPE ALLIET
Alliet é discreto e determinado. Com sua mulher, Claude, transformou esta propriedade em modelo para a produção de vinho tinto em Chinon, empregando técnicas das grandes propriedades de Bordeaux, como o amadurecimento em barriques. Elabora, com Cabernet Franc, um cuvée leve, tradicional, e os mais estruturados e concentrados Vieilles Vignes e Coteau de Noiré.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE HUET
Gaston Huet construiu a reputação de sua propriedade em Vouvray depois da II Guerra Mundial, e seu genro, Noël Pinguet, adotou técnicas de agricultura biodinâmica. Os vinhos, feitos de Chenin Blanc, são produzidos a partir de três vinhedos soberbos: Le Mont, Le Haut-Lieu e Clos du Bourg; a depender da safra, podem ser secos, meio-secos ou doces. Têm um ótimo potencial de guarda. terça-feira, 10 de novembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE HENRY MARIONNET
Marionnet é um pioneiro em sua nativa Touraine: replantou seu vinhedo de 60 ha para produzir Sauvignon Blanc em estilo moderno e Gamay frutado. Agora se dedica a fazer reviver variedades esquecidas de uvas, como a Romorantin branca (plantada em 1850) usada em seu Provignage e a Gamay de Bouze, a partir da qual ele produz Les Cépages Oubliés (ambos vins de pays). Produz também um vinho chamado Vinifera, a partir de uma Gamay sem enxerto. Os três revelam soberba pureza da fruta.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE DU CLOS NAUDIN
Philippe Foreau descreve a contundência firme e mineral das safras mais antigas de seu Vouvray Chenin Blanc como quase "chablisesca". Sejam secos, meio-secos ou doces ou - em anos excepcionais, quando a botritis aparece - moelleux réserve (1990, 1995, 1997), todos são maduros "ouro puro" e envelhecem por um tempo considerável. Produz também, pelo método tradicional, um pouco de espumantes safrados e não safrados esplêndidos.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE DE LA TAILLE AUX LOUPS
Jack Blot criou esta propriedade em 1988. As Chenin Blanc cuidadosamente selecionadas são envelhecidas em barris de carvalho. Produz o elegante Lês Dix Arpentes (foto) e o Cuvée Remus, com um atípico aroma de carvalho tostado. Às vezes, produz cuvée demi-sec e o doce Cuvée des Loups, bem como o espumantes. GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE BERNARD BAUDRY
Bernard Baudry começou em 1977, com apenas 2 ha, mas tem hoje, 30 ha, que dirige junto com o filho Mathieu. Os vinhos são envelhecidos em adegas escavadas na rocha macia de calcário. O La Croix Boissé, feito de Cabernet Franc cultivada em solos de calcário, e o Grézeaux, de uva cultivada em cascalho, são estruturados e bons para guarda. O Les Granges é um Chinon mais suave, mais frutado. Chinon branco fresco também é produzido a partir de Chenin Blanc. GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE PATRICK BAUDOUIN
A colheita selecionada produz vinhos de grande riqueza e concentração natural de fruta. Dependendo da safra, há cuvées a partir de Chenin Blanc, com vários graus de doçura. Por ordem de riqueza, temos: Après Minuit, Maria Juby, Grains Nobles e Les Bruandières. A propriedade faz também um branco seco de Anjou suave, fresco, com notas minerais, e um pouco do tinto Anjou-Villages. quinta-feira, 5 de novembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE DES BAUMARD
A propriedade de Florent Baumard se estende pelas duas margens do Loire. Seu branco seco Savennières Clos St-Yves é firme e redondo. Em anos excepcionais, também se produz o Trie Spéciele, que é ainda mais intenso. Produz também o doce e elegante Clos Ste-Catherine e o Quarts de Chaume, com alta e suculenta concentração de fruta.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - COULÉE DE SERRANT
O proprietário, Nicolas Joly, é o principal entusiasta da viticultura biodinâmica na França. O grand cru Coulée de Serrant, com 7 ha, é um monopólio, um dos vários campos que Joly possui em Savennières. O vinho conta com a qualidade das uvas Chenin Blanc. O Coulée de Serrant é sempre seco e encorpado, com acidez firme e aromas de mel e marmelo.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - CLOS ROUGEARD
Os irmãos Foucauld, Charly e Nadi sabem fazer um bom Saumur-Champigny. Com vinhas de Cabernet Franc, baixo rendimento e amadurecimento em barriques de carvalho, eles produzem vinhos elegantes e concentrados. Os vinhos Les Poyeux e Le Bourg são tão elegantes e estruturados como muitos dos melhores Bordeaux. terça-feira, 3 de novembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - CHÂTEAU PIERRE BISE
Claude Papin conhece bem o terroir de sua propriedade de 54 ha. Colheita selecionada tardia dá a seus vinhos toques frutados generosos. Particularmente dignos de nota são o firme e encorpado branco seco Clos de Coulaine, os untuosos Coteaux de Layon Anclaie e Quarts de Chaume e o tinto Anjou-Villages Sur Spilite.GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - CHÂTEAU DE VILLENEUVE
A casa data do século 18 e foi construída a partir do tufo local. Os vinhos de Jean-Pierre Chevallier são igualmente impressionantes, em particular os tintos ricos, potentes e de cor densa elaborados de Cabernet Franc. O cuvée tradicional é sempre bom e, em anos excepcionais, também são produzidos, para envelhecer por muito tempo, os vinhos Le Grand Clos e Vieilles Vignes. O Chenin Blanc Saumur Les Cormiers é rico e concentrado. segunda-feira, 2 de novembro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO VALE DO LOIRE - DOMAINE DE L'ÉCU
Guy Bossard eleva o Muscadet a um novo patamar, a base de agricultura biodinâmica. Vinhos encorpados, cheios, complexos, que podem até ser até mesmo envelhecidos. O tradicional Muscadet Sèvre et Maine sur lie é um clássico, e há três cuvées excepcionais batizados de acordo com os nomes dos solos de onde provêm. Bossard também faz um vinho espumante segundo o método tradicional, o Ludwig Hahn, a partir de Melon de Bourgogne, Folle Blanche e Chardonnay. ÁREAS VINÍCOLAS DO VALE DO LOIRE - LOIRE CENTRAL
A região central do Loire é a capital da Sauvignon Blanc no país, como demonstram os famosos vinhos de Sancerre e Pouilly-Fumé. Os vinhedos estão localizados rio acima, a 360 km de distância da costa atlântica. O clima é marcadamente continental e as uvas ácidas, secas e vivas, com aromas e sabores penetrantes de frutas silvestres e, ocasionalmente, cítricos.A cidade de Sancerre, na margem sul, dá seu nome à maior das duas denominações, com cerca de 2,6 mil ha plantados em terreno montanhoso de calcário. O Pouilly-Fumé é produzido no lado oposto do rio, onde a terra é mais plana. Para aumentar a confusão, há também um vinho branco chamado Pouilly-sur-Loire, feito de uva Chasselas e infinitamente menos interessante. Estabelecer as diferenças de paladar entre um sancerre e um Pouilly-Fumé não é fácil. A qualidade do primeiro varia, mas ele é em geral mais encorpado e frutado; o outro é mais mineral e intenso. Ambos são deliciosos quando jovens. Pouilly-Fumé é um distrito em que se produzem apenas vinhos brancos. Sancerre também produz um pouco de tintos e rosés a partir de Pinot Noir. Os tintos são leves, com um aroma de cereja, e geralmente são consumidos na região ou destinados a bistrôs parisienses.
Três outros distritos ficam na mesma margem que Sancerre. A oeste, a AOC de Menetou-Salon produz um Sauvignon Blanc pungente e tintos e rosés leves. São menos conhecidos, mas oferecem boa relação custo-benefício. A AOC de Reuilly também produz vinhos das três cores, a partir das mesmas variedades, mas utiliza um pouco de Pinot Gris em seu rosé. O branco é seco e um pouco mais austero que o de Sancerre, e o tinto é mais leve. A denominação vizinha de Quincy é um distrito só de brancos. A Suvignon Blanc cresce em terrenos de argila e cascalho, produzindo vinhos aromáticos e frutados.
sábado, 31 de outubro de 2009
ÁREAS VÍNICOLAS DO VALE DO LOIRE - TOURAINE
Os melhores tintos do Loire vêm de Touraine (das denominações Chinon, Bourgueil e St-Nicolas-de-Bourgueil). São geralmente frescos e frutados, produzidos com uva Cabernet Franc. São revigorantes, digestivos, vivazes, nada chatos e, sobretudo, amigáveis. O estilo mais leve e jovem pode, como o Beaujolais, ser servido refrescado para destacar sua característica frutada. Em grandes safras (como 1996 e 1997) e provenientes de bons solos, eles podem ser mais encorpados e longevos, com potencial de guarda de até uma década.Chinon é o maior dos três distritos, com 2,1 mil ha localizados no sul do Loire, em qualquer das margens de um de seus afluentes, o Vienne. Os vinhos têm textura macia e redonda. Os estilos mais leves provêm dos solos arenosos e de aluvião próximos das margens do rio, e os mais vigorosos e potentes têm origem nos planaltos de calcário e argila ou nos declives voltados para o sul. Há também um vinho branco seco um tanto raro, elaborado de uvas Chenin Blanc. O solo de calcário reaparece no norte do Loire, em Bourgueil, dando firmeza às uvas locais. Já as uvas plantadas nos solos predominantemente de aluvião de St-Nicolas-de-Bourgueil dão vinhos mais leves e frutados. Nos três distritos, os produtores costumam apresentar vários cuvées diferentes, cada um refletindo o tipo de solo e a idade das vinhas.
Touraine é a denominação genérica para os vinhos brancos, rosés e tintos simples e leves produzidos em uma zona ao redor da cidade de Tours. Permite-se a utilização de uma grande quantidade de cepas de uvas, mas as mais comuns são a Gamay e a Sauvignon Blanc. Três áreas específicas podem acrescentar seus nomes ao rótulo: Touraine Mesland, Touraine Amboise e Touraine Azay-le-Rideau, enquanto o Touraine Noble-Joué é responsável por uma pequena produção de vin gris frutado feito de Pinot Meunier, Pinot Noir e Pinot Gris.
Bem perto de Tours, a leste, há duas AOCs dos brancos de Touraine: Vouvray e Montlouis. A caprichosa Chenin Blanc volta a ser dominante, produzindo vinhos secos, meio-secos, doces e espumantes, todos com nuances de maçã e mel e acidez pronunciada. As safras podem variar bastante nesta zona em parte continental, em parte marítima - e, com elas, o estilo do vinho.
Nos anos de bom amadurecimento, quando a botrítis toma conta da vinha, a bebida tende a ser mais doce, com sabor de marmelo e frutas cristalizadas; nos anos menos pujantes, prevalecem os secos e espumantes. Ambos têm incrível longevidade e podem envelhecer por décadas. Vouvray fica na margem direita do Loire e, com suas encostas de calcário, produz um vinho com mais corpo e intensidade que o Montlouis produzido na margem sul, onde os solos são mais arenosos. Escavadas no solo de tufo, em Vouvray, há adegas impressionantes e moradas pré-históricas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
ÁREAS VINÍCOLAS DO VALE DO LOIRE - ANJOU-SAUMUR
A melhor expressão da uva Chenin Blanc do mundo, exceto por Vouvray, em Touraine, está em Anjou. Uma combinação de clima marítimo, vales protegidos, solos xistosos e da própria uva produz vinhos superlativos, secos e brancos, alguns com potencial de guarda de muitos anos, às vezes de décadas.A sudoeste da cidade de Angers, no lado norte do Loire, os vinhedos de Savannières são plantados em ardósia e solos xistosos que se inclinam até a margem do rio. Com uma uva Chenin Blanc seca e mineral, com grande profundidade e persistência, a variedade de Savannières precisa de pelo menos quatro ou cinco anos para amadurecer. Versões meio-doces e doces do vinho são produzidas em safras excepcionais.
Dentro desse distrito há duas subdenominações consideradas grands crus, a Roche aux Moines e a pequenina Coulée de Serrant, um monopólio tocado segundo princípios da biodinâmica pelo proprietário, Nicolas Joly.
O melhor entre os estilos doces vem dos vales formados pelos afluentes do lado direito do Loire, nas AOCs Coteaux de l'Aubance e Coteaux dy Layon. A uva Chenin Blanc amadurece até revelar uma doçura fragrante em locais de aspectos muito distintos, com o auxílio, em condições ideais, da botrítis. A colheita selecionada e tardia é, portanto, essencial. Os melhores vinhos possuem aromas florais estimulantes quando jovens; evoluídos, ganham notas de mel e frutas secas e uma untuosidade sentida na boca junto com uma acidez esfuziante. Dois locais em Coteaux dy Layon, Bonnezeaux e Quarts de Chaume, são considerados superiores por seu estilo de vinho e, por isso, recebem status de AOCs individuais.
Vinhos brancos secos e tintos também são elaborados na AOC de Anjou. Os brancos invariavelmente têm sabor de maçã e marmelo com notas minerais e são produzidos com Chenin Blanc, às vezes com um toque de Chardonnay e Sauvignon Blanc; o tinto suave é feito de Cabernet Franc. O Anjou-Gamay, elaborado a partir de uma uva diferente e leve, é fácil de beber. Geralmente é consumido só na região. Anjou-Villages e Anjou-Villages Brissac são denominações únicas para tintos produzidos com uvas selecionadas da margem sul do rio. Produzidos com Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, eles têm um pouco mais de cor, intensidade e estrutura do que os vinhos comuns de Anjou e podem apresentar uma excelente relação custo-benefício.
O vinho rosé, outro produto importante da região, aparece em vários estilos. O Cabernet d'Anjou e o Rosé d'Anjou são vinhos meio-doces ou doces, enquanto o Rosé de Loire, também produzido em Touraine, é seco.
Ao sul do rio, os solos macios de calcário e tufo de Saumur tornaram a região um centro de produção de vinhos espumantes. Com suas grandes companhias e adegas escavadas na rocha macia, a cidade de Saumur lembra Épernay, em Champagne. Saumur é a denominação genérica para tintos e brancos feitos, como em Anjou, respectivamente de Cabernet Franc e Chenin Blanc, embora os solos calcários tornem seus vinhos um pouco mais leves. Os melhores tintos vêm de Saumur-Champigny, uma AOC um pouco mais limitada. Com aromas de framboesa e de violetas, são em geral frescos, frutados e fáceis de beber.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
ÁREAS VINÍCOLAS DO VALE DO LOIRE - PAYS NANTAIS
Área vinícola mais ocidental do vale, Pays Nantais é terra do Muscadet - o vinho branco seco, vivaz e cautelosamente neutro e sempre servido como acompanhamento para frutos-do-mar. É elaborado a partir de uma uva bastante neutra, a Melon de Bourgogne, uma variedade borgonhesa introduzida no século XVII que conseguiu suportar um inverno extraordinariamente severo em 1709 que destruiu as variedades tintas nativas que antes predominavam na região.Os vinhedos, com cerca de 13 mil ha, ficam nos arredores de Nantes e são divididos em quatro denominações. Muscadet Sèvre et Maine é de longe a maior, respondendo por cerca de 80% da produção. Muscadet Coteaux de la Loire é talvez a mais encorpada, enquanto Muscadet Côtes de Grandlieu, a designação mais recente - introduzida em 1994 - tem estilo suave. Há também uma pequena quantidade de AOC Muscadet genérico.
Ao longo de toda a região há potencial para engarrafar o vinho sur lie, o que acontece com os melhores exemplos de Muscadet. Com isso, permanecem em contato com as borras por quatro ou cinco meses, durante o inverno, no tanque ou barril no qual foram fermentados; depois, o engarrafamento é imediato. O processo ajuda a acentuar os sabores, e o vinho terá também certa efervescência que enfatizará seu frescor e compensará a acidez geralmente baixa. Ainda mais seco que o Muscadet é o vinho branco Gros Plant Du Pays Nantais, de denominação VDQS, feito de uva Folle Blanche.
VALE DO LOIRE - VARIEDADES DE UVAS E ESTILOS DE VINHO
O vale produz vinhos muito originais em estilos e em variação. Os brancos são feitos principalmente de Chenin Blanc (conhecida no local como Pineau de la Loire) em Anjou-Saumur e em Touraine, de Melon de Bourgogne no Pays Nantais e de Sauvignon Blanc no centro do Loire e em Touraine. A Chenin Blanc é uma cepa verdadeiramente local, e seu nome é derivado do Mont-Chenin, em Touraine. É usada para fazer vinhos em muitos estilos distintos, alguns melhores do que outros. Seu alto teor de açúcar faz com que seja ideal para a produção de brancos doces e espumantes, especialmente depois de um verão quente. O exemplo mais famoso são os vinhos de Vouvray.A uva Melon de Bourgogne - que, como o nome sugere, tem origem borgonhesa - é sinônimo do Muscadet ultra-seco do Pays de Nantais. A uva, em si, não possui sabor pronunciado de fruta, e por isso os vinhos Muscadet clássicos são produzidos sur lie, isto é, mantidos em contato com suas borras ao longo do inverno para adquirir vivacidade.
Os mais famosos brancos do Loire, porém, são provenientes da região central, feitos de Sauvignon Blanc em Sancerre e em Pouilly-Fumé. Esses vinhos têm feito tanto sucesso nos últimos anos que a demanda crescente levou alguns poucos produtores a plantar em demasia. O aumento da produção significa que as frutas não atingirão a maturidade necessária para produzir os maravilhosos e pungentes aromas frescos que tornam a Sauvignon Blanc famosa. Uma boa uva Sauvignon Blanc também é produzida nas proximidades, em Menetou-Salon.
A uva Cabernet Franc (ou Breton, como é conhecida em Touraine) é a variedade tinta predominante na região. Sua melhor expressão é encontrada nos distritos de Chinon e Bourgeuil, em Touraine, e no distrito de Saumur-Champigny, em Anjou-Saumur. Com algumas poucas e notáveis exceções, a maior parte dos vinhos produzidos aqui deve ser bebida jovem. O mesmo vale para os rosés, particularmente o Rosé d'Anjou. Qualquer que seja o estilo do vinho, o clima setentrional do Loire dá mais ênfase à delicadeza e ao sabor do que ao corpo e à concentração de fruta.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
VALE DO LOIRE - DA FOZ AO ATLÂNTICO
O fio que interliga toda a região é o extenso e deleitoso Loire, rio que cobre uma distância de 1100km desde sua origem, no Maciço Central. As partes mais altas do rio são o território de um punhado de vinhos "regionais" (St-Pourçain, Cote Roannaise, Cotes du Forez) raramente encontrados fora da França. Vinhos que merecem ser levados a sério começam a surgir bem mais ao norte, em Pouilly-sur-Loire, e continuam pelo oeste até Nantes. Ao longo desta região do Loire, cerca de 13 mil propriedades familiares cultivam aproximadamente 50 mil ha de vinhas Appellation d'Origine Contrôlée. As propriedades médias são pequenas - em torno de 4 ha cada uma -, mas, com uma produção anual total de cerca de 300 milhões de litros, o Vale do Loire é o terceiro maior produtor de vinhos AOC da França, atrás apenas do Vale do Rhône e de Bordeaux.Os brancos constituem a maior parte dos vinhos do Loire, representando 55% do volume total, com apenas 24% de tintos, 14% de rosés e 7% de espumantes. A latitude norte e o clima geralmente temperado garantem boa acidez aos vinhos, que têm caráter bem refrescante. Mas a extensão geográfica do Vale do Loire, as muitas cepas cultivadas e os efeitos da variação das safras implicam grande diversidade entre os vinhos da região.
VALE DO LOIRE
Os parisienses há muito se deleitam com os vinhos do Loire, que, entretanto, tendem a ser subestimados em outras partes do mundo. Apesar disso, a diversidade de vinhos da região é fantástica - desde brancos vivazes com boa relação custo-benefício, rosés deliciosamente refrescantes, tintos leves que acompanham muito bem as refeições até vinhos doces de categoria internacional. Os vinhos da região têm harmonia e são fáceis de beber.
Historicamente, a proximidade com a capital parisiense deu um mercado pronto para os vinhos do Vale do Loire. Desde a Idade Média, os numerosos pequenos viticultores da região desenvolveram laços lucrativos com Paris.
As ligações estabelecidas com a Bélgica e a Holanda também são muito antigas, graças às excelentes conexões fluviais, e os portos da costa oeste facilitaram as exportações para a Inglaterra, onde os vinhos do Anjou, no passado, eram preferidos aos de Bordeaux.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE DE TRÉVALLON
Eloi Dürrbach faz um vinho tinto bastante original com um corte em partes iguais de Cabernet Sauvignon e Syrah. A textura é elegante, com aromas de folhas de louro e herbáceo, além do grande potencial de guarda. Mas, como o percentual de Cabernet Sauvignon ultrapassa o permitido pela AOC Les Baux de Provence, seus vinhos ganham o rótulo de vins de pays. O branco fermantado em barril é um corte de Marsanne, Roussanne e Chardonnay. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - CHÂTEAU SIMONE
Há sete gerações na família Rougier, esta propriedade é tradicionalíssima. O vinhedo de agricultura orgânica jamais foi replantado - as vinhas são substituídas individualmente só quando necessário. São utilizadas as cepas Granache e Mourvèdre para os tintos e Clairette para os brancos (de frescor mineral e melhores quando evoluem na garrafa). O tinto, amadurecido por três anos em barril de carvalho, tem cor suave, clara, e é a antítese dos modernos vinhos frutados.GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - CLOS SAINTE MAGDELEINE
Os vinhedos em terraços do Clos Sainte Magdeleine descem até o Mediterrâneo em um cenário idílico. Este é, regularmente, um dos melhores produtores do distrito. Seus vinhos, elaborados com as cepas Marsanne, Clairette e Ugni Blanc, têm buquê floral e de mel e são frutados, amplos e suaves. São melhores quando consumidos jovens. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE TEMPIER
Tempier é há muito tempo uma das referências de Bandol. Relançada em 1940 por Lucien Peyraud, ainda pertence à sua família, embora seja atualmente administrada por Daniel Ravier. Vários tintos diferentes são produzidos aqui, com distintos cortes de Mourvèdre com um pouco de Grenache, Cinsault e Syrah. O Classique e o Cuvée Speciale têm uvas de diferentes terrenos da propriedade, enquento o La Migoua, o La Toutine e o Cabassou são vinhos magníficos elaborados com uvas de um único trecho do terreno. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - CHÂTEAU PRADEAUX
A família Portalis é proprietária do Château Pradeaux desde 1752; Cyrille Portalis é o atual guardião. Seu sucesso se deve em parte às vinhas velhas e a pequena produção de uvas. O estilo de seu vinho à base de Mourvèdre não faz concessões: firme, estruturado, precisa envelhecer muitos anos na garrafa para evoluir e ganhar suavidade. O requinte e a complexidade se desenvolvem com o tempo. quarta-feira, 14 de outubro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - CHÂTEAU DE PIBARNON
Em 1977, Henri de St-Victor trocou o trabalho de farmacêutico em Paris pela vida de vinicultor em Bandol. A magnífica propriedade, com vista para o Mediterrâneo, se expandiu e hoje tem quase 50ha. Dirigida por seu filho, Eric, produz um dos tintos mais elegantes, complexos e longevos da região, feito de Mourvèdre e com apenas um ligeiríssimo toque de Grenache. Seu rosé frutado é um corte de Mourvèdre e Cinsault, e o branco combina as cepas Clairette, Bourboulenc, Marsanne, Viognier e Roussanne. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE RICHEAUME
Um emprego de professor na universidade de Aix en Provence foi o estímulo para que Henning Hoesch criasse Richeaume em 1972. A propriedade hoje se estende por 20ha, e ele trabalha com o filho, Sylvain, que se especializou em Ridge, na Califórnia, e em Penfolds, na Austrália. Produzem um aromático blanc des Blancs feito de Vermentino e Clairette, além de uma boa seleção de tintos. O Cuvée Tradition (Cabernet Sauvignon e Grenache) é escuro, rico e herbáceo, enquanto o o Cuvée Columelle (Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot) é mais sério e complexo.GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - CHÂTEAU DE ROQUEFORT
Produtor recente e emergente, Raimond de Villeneuve passou a infância na região e voltou em 1994 para dirigir a casa. Rapidamente reestruturou o vinhedo e deu continuidade à prática de agricultura orgânica. Os vinhos são suntuosamente frutados, com textura muito elegante. O branco Les Genêts é fresco e floral, e os rosés Corail e Sémiramis têm sabores de frutas vermelhas. Os cortes tintos, Les Mûres e Rubrum Obscurum, são simplesmente deliciosos - o segundo é mais estruturado. Em anos excepcionais se produz o La Pourpre, com as cepas Carignan e Syrah. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE DE LA RECTORIE
Os diligentes irmãos Parcé cultivam cerca de 30 diferentes vinhedos em terraços cujas altitudes variam do nível do mar a 400m. Com eles, elaboram uma ampla gama de vinhos: quatro Banyuls, três Collioures, dois brancos secos e dois rosés. A Grenache é a cepa dominante dos tintos, e o elegante e longevo Collioure leva um pouco de Syrah. Com rica concentração de fruta, o Banyuls cuvée amadurece em barril por um ano.terça-feira, 13 de outubro de 2009
GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE DU MAS BLANC
O doutor André Parcé colocou a propriedade de sua família no mapa na década de 1970. Seu filho, Jean Michel desde então dá continuidade ao seu trabalho. A vinícola produz Collioure, mas a linha realmente interessante é a Banyuls: o Rimage e o Rimage La Coume são engarrafados cedo para preservar o caráter frutado; o Cuvée du Docteur Parcé é um corte de safras de anos distintos; o Hors d'Age de Sostréra utiliza o método solera, empregado na produção de xerez. O branco é feito de Moscatel, Grenache Blanc e Malvoisie.GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE GAUBY
Gérard Gauby é a estrela pragmática do Roussillon. Ele começou a engarrafar na década de 1980, e seus vinhos, no passado potentes e tânicos, são agora mais elegantes na textura e na qualidade da fruta. Ele se dedica à agricultura orgânica desde 1996 e adotou a biodinâmica a partir de 2001. Os tintos Vieilles Vignes e La Muntada - este à base de Syrah - são soberbos, e há também uma boa linha de vinhos brancos. GRANDES PRODUTORES DO SUL DA FRANÇA - DOMAINE DU CLOS DES FÉES
Ex-sommelier, ex-restaurateur e ex-escritor de livros sobre vinhos, Hervé Bizeul provou que tem boa mão também para fazer vinhos. O progresso de sua vinícola tem sido meteórico desde a primeira safra, de 1998. Três cortes são produzidos a partir de Grenache, Syrah, Carignan e Mourvèdre: Les Sorcières é rico e frutado, enquanto Vieilles Vignes e Les Clos des Fées têm mais categoria. Petite Sibérie é uma edição cara e limitada de apenas 2 mil garrafas feitas de Grenache cultivada em um único terreno.
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